quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Will I Am diz que faixas que gravou com Michael Jackson jamais serão lançadas

Will.I.am letras
O produtor e líder dos Black Eyed Peas Will I Am voltou a reclamar do lançamento de material inédito de Michael Jackson e disse que as canções em que a dupla colaborou jamais verão a luz do dia.

Em entrevista para a versão americana da revista "Rolling Stone" Will disse que pouco antes de morrer, Jackson telefonou para falar que a canção em que ambos estavam trabalhando Hold My Hand (With Akon) tinha vazado na internet querendo saber por que as pessoas estavam fazendo isso.

Há um mês Will já tinha dito que o lançamento de material póstumo do artista era desrespeitoso á memória do cantor, conhecido pelo perfeccionismo. O produtor disse ter ouvido Breaking News, a primeira a ser divulgada do recém-lançado "Michael", e que para ele aquilo não era Michael Jackson pois o cantor não estava lá para acertar os mínimos detalhes como fez em Billie Jean.

Atenção!!!

Atenção, super fãs de Michael Jackson! O novo CD Michael já está à venda na saraiva, e... EM OFERTA!!!!!
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Aproveitem!!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Foto de Michael é vendida por R$ 59 mil em leilão

Evento teve quatro imagens do astro feitas por fotógrafo francês



Foto: Arno Bani/Divulgação
Foto de Michael Jackson feita por Arno Bani
Uma foto de Michael Jackson posando como um faraó egípcio foi vendida por 26 mil euros (R$ 59 mil) em um leilão que reuniu quatro retratos inéditos do Rei do Pop.
O retrato do falecido cantor de "Thriller" vestido com uma capa dourada e os olhos escurecidos com sombra foi adquirido no leilão de Paris por Ito Morabito, estilista da marca Ora-Ito, na segunda-feira. O preço total com comissão foi de 32.240 euros.
"Eu sou um fã desde que nasci", disse Morabito. "É singular e realmente representa quem ele era, 50 por cento homem, 50 por cento deus."
Desde sua morte repentina em junho de 2009, causada por uma overdose de medicamentos, fotos e souvenirs de Jackson foram vendidos a preços recordes. A luva branca que virou marca registrada do cantor de "Billie Jean" arrecadou 350 mil dólares em um leilão de antigos objetos do astro, realizado em novembro do ano passado, poucos meses depois de sua morte.
Um álbum póstumo com novas músicas intitulado "Michael" chegará às lojas nesta semana.
Um segundo retrato de Jackson com brilho azul ao redor de seu olho esquerdo conseguiu 25 mil euros em menos de um minuto. Na terceira, o cantor está com uma camiseta preta elevada até abaixo dos olhos, com um fundo multicolorido. Essa foi vendida por 22 mil euros.
No quarto retrato, Jackson está em frente a uma cortina vermelha. Ela conseguiu 9 mil euros. A maioria dos outros itens foi vendida por cerca de 1.500 euros.
As fotos foram tiradas em 1999 pelo fotógrafo francês Arno Bani, de apenas 23 anos na época.
Cerca de 200 fãs e comerciantes compareceram ao Hotel Salomon de Rotschild, uma mansão particular em Paris, onde o leilão foi realizado.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Mark Ronson já dormiu na casa de Michael Jackson

Mark Ronson revelou que costumava passar algumas noites na casa do astro quando criança
Divulgação
Mark Ronson 
letras
O famoso produtor amigo de Amy Winehouse revelou que costumava dormir na casa do astro Michael Jackson, acompanhado do amigo Sean Lennon, filho do lendário John Lennon.

Mark Ronson admitiu que nunca falou de seu relacionamento com Michael Jackson aos amigos de escola com medo de virar motivo de brincadeiras ou até mesmo apanhar.

"Se eu ficasse me gabando disso duas coisas poderiam acontecer: ou as crianças iriam achar que eu estava inventando ou iriam dizer que estava me gabando e poderiam me bater por causa disso. Na dúvida, era melhor não dizer nada" revelou.

Mark Ronson, que nasceu na Inglaterra mas se mudou para Nova York quando ainda era criança, disse que nunca teve problemas na escola a não ser pelas brincadeiras que as outras crianças faziam por conta de seu sotaque britânico.

"Você aprende a se ajustar rapidamente. Quando estava nos Estados Unidos tiravam sarro porque eu tinha um sotaque diferente, então tentei soar como um americano o mais rápido que pude. Quando voltava para a Inglaterra me zoavam porque falava como um americano, então ajustava meu sotaque de acordo a situação.

Crianças podem fazer brincadeiras por causa de qualquer coisa, mas elas são assim mesmo" declarou.

Mark Ronson ainda disse que "nunca teve problemas para fazer amigos".

Talvez ele realmente não tenha problemas em fazer amigos, mas não se pode dizer o mesmo quanto a mantê-los, já que recentemente uma de suas amigas mais célebres, a cantora Amy Winehouse, expôs publicamente via Twitter sua insatisfação com o produtor.


http://www.vagalume.com.br/news/2010/09/29/mark-ronson-ja-dormiu-na-casa-de-michael-jackson.html#ixzz17fFNAy1D

Michael Jackson tem ainda mais canções inéditas

Além de todo o legado deixado pelo cantor suficiente para compor o álbum "Michael", os produtores dizem que há mais material que ainda não foi lançado e que pode ser trabalhado
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Michael 
Jackson letras
O eterno rei do pop continua nos noticiários mesmo mais de um ano depois de seu falecimento. Dessa vez, um dos produtores do álbum "Michael" confirmou que ainda há material do cantor que ninguém nunca ouviu.

Teddy Riley, que trabalhou em três das "novas" canções de Michael Jackson, disse à BBC que está ansioso para fazer o próximo álbum e que está feliz por ter sido convidado mais uma vez.

Novamente, surgiram comentários sobre a autenticidade do material, mas Riley garante que os produtores não agirão de má fé, e que as novas canções serão tão reais quanto as do disco póstumo "Michael" (que será lançado ao mercado no próximo dia 13).

Teddy afirma: "Não se trata do dinheiro. Se trata de ter a certeza de que tudo está sendo feito de forma correta."

O produtor, que também trabalhou no álbum Dangerous de 1991, desmentiu as afirmações feitas pelos sobrinhos do cantor de que os vocais não seriam verdadeiros: "ninguém jamais poderia duplicar a voz de Michael Jackson. Ele tinha texturas diferentes de voz.

Neste último disco, vimos diferentes estilos e épocas [da carreira] de Michael. É o que ele esperaria que fizéssemos. Se estivesse aqui, ele iria ainda mais a fundo. O palbum está impressionante e sua família está se beneficiando dos resultados."

As opiniões de outros artistas acerca do lançamento do álbum foram diversas. Will.I.Am. diz que foi uma falta de respeito lançar o material sem o consentimento do cantor, enquanto o rapper Akon diz que essa é uma maneira de manter o legado do rei vivo.


http://www.vagalume.com.br/news/2010/12/09/michael-jackson-tem-ainda-mais-cancoes-ineditas.html#ixzz17fFGHflx

50 Cent diz que seu dueto com Michael Jackson é a versão 2010 de "Thriller"

O rapper diz que sua parceria com o Rei do Pop apresentará um novo lado seu aos fãs
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50 Cent letras
Como um dos três convidados que participam do primeiro álbum póstumo de Michael Jackson, 50 Cent contou como foi a experiência de trabalhar com o Rei do Pop. Ele trabalhou com Michael na faixa "Monster", e considera a canção como a versão 2010 do clássico Thriller.

"Eu não tive a oportunidade de estar fisicamente na presença de Michael Jackson. Mas meu Dj Whoo Kid teve a oportunidade de conhecê-lo, porque Michael estava interessado em trabalhar comigo, e queria que eu ouvisse um canção que havia criado" declarou o rapper.

Após a morte de Michael, 50 Cent foi convidado para gravar a sua parte na faixa. "Quando me sentei e ouvi a música, fiquei bastante entusiasmado. Eu pensei comigo: 'essa é a versão 2010 de Thriller!" disse 50 Cent, lamentando não ter tido a chance de estar na mesma sala que Michael para poder ter feito algo ainda melhor.

"Eu mudei um pouco minha cadência, então eu não sôo da mesma forma como as pessoas estão acostumadas, porque estou me ajustando a produção" explicou.

Mesmo assim o rapper promete que a faixa vai apresentar um outro lado seu e ainda irá satisfazer os fãs de Michael Jackson.

Além de 50 Cent, o álbum "Michael" contará com as presenças de Akon na faixa Hold My Hand (With Akon) e Lenny Kravitz em Another Day. O lançamento oficial do álbum será no próximo dia 14 de dezembro nos Estados Unidos.

Cantora japonesa "assumirá" posto de Michael Jackson

Os irmãos do astro morto farão shows no Japão que podem virar tour mundial
Ai letras
AI, a estrela japonesa que cantará com os irmãos Jackson
Os Jacksons estão de volta. Quer dizer, em termos. Marlo, Tito, Jermaine e Jackie irão fazer alguns shows no Japão e quem foi convocado para assumir o posto de Michael Jackson? Melhor dizer convocada, já que a escolhida a cantora AI. Não conhece? Compreensível, mas ela é uma das maiores estrelas do pop japonês e seu último disco conta com as participações de nomes como Snoop Dogg e K'Naan.

A estrela japonesa obviamente está feliz com o convite e disse para a CNN se sentir honrada em fazer parte desse tributo e por estar tão próxima dos familiares de Michael. Os shows acontecerão apenas em 14 e 15 de outubro de 2011.

Divulgação
Jackson 5 
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Os irmãos Jackson em foto recente

A imprensa ainda se mostra cética,, afinal desde 2009 vários concertos em tributo a Michael Jackson anunciados pelos seus familiares foram cancelados. Desses shows japoneses só se sabe mesmo as datas e que uma emissora de tv japonesa talvez esteja na organização. Preços, lugar das apresentações, promotores envolvidos e demais informações são desconhecidas até o momento.

Mesmo com os detalhes ainda nebulosos o grupo já diz que se os shows no Japão forem um sucesso eles irão levar a turnê para outros países.

Will.i.am: "É desrespeito lançar novo CD de Michael"

Enquanto as expectativas para o álbum póstumo de Michael Jackson estão lá em cima, o líder do Black Eyed Peas explica por que acha que é falta de respeito lançar esse disco agora
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Will.I.am letras
O líder do Black Eyed Peas Will.I.am
Os fãs do Rei do Pop aguardam ansiosamente o lançamento de "Michael", o álbum póstumo de Michael Jackson, que deve chegar às prateleiras em dezembro.

No entanto, Will.i.am., o líder da banda pop Black Eyed Peas, é contra esse novo disco e expressa a sua opinião ao site Entertainment Weekly.

O cantor começa dizendo que ainda não ouviu o novo single Breaking News, e que não tem interesse em ouvir. Além disso, ele desabafa:

"Quem quer que tenha lançado esse disco e esteja lucrando com isso, é muito frio, dizendo que o que Michael contribuiu sua vida inteira não foi o bastante. Ele não era um artista qualquer. Ele gostava de por a mão na massa. Isso pra mim é desrespeito."

Ele continua: "Não sei como puderam lançar fragmentos de trabalho de um homem tão meticuloso. As músicas do Michael ficam prontas quando ele diz que estão prontas.

Talvez se eu não tivesse trabalhado com ele, eu não teria essa perspectiva. Ele cuidava dos tons de voz, do som, de tudo."

Will.i.am. e Michael Jackson gravaram algumas canções em 2006 ( Dreaming, Still The King e I Will Miss You), mas não levaram o projeto adiante. Agora, o produtor afirma que jamais lançará nenhuma das três canções, pois Michael não deu sua opinição final.

Então, enquanto esse controverso disco solo de Michael Jackson não sai, confira a discografia do Rei no Vagalume.


http://www.vagalume.com.br/news/2010/11/16/will-i-am-e-desrespeito-lancar-novo-cd-de-michael.html#ixzz17fB8S92r

Detalhes sobre o novo álbum de Michael Jackson

Depois de "Breaking News", foi anunciado que o próximo single será uma parceria com Akon
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Michael 
Jackson letras
O álbum póstumo de Michael Jackson vem levantando muitas especulações e surpreendendo os fãs desde que foi anunciado.

Agora, a tracklist revela que o disco contará com três parcerias um tanto quanto inesperadas, mas sabiamente planejadas pelo Rei do Pop: uma com Akon, outra com 50 Cent e uma terceira com Lenny Kravitz.

Akon fala sobre Hold My Hand (With Akon), parceria sua com Michael e que deverá ser o próximo single lançado antes do álbum.

Composta pelo senegalês, Hold My Hand (With Akon) foi gravada pelos dois em Las Vegas em 2007. Uma versão não-finalizada da música vazou na internet em 2008, mas Akon finalizou a produção depois da morte de Michael.

Ele diz: "O mundo não estava pronto para ouvir Hold My Hand (With Akon) alguns anos atrás. Nós ficamos arrasados quando vazou, mas agora chegou a hora.

Finalizada, a canção ficou incrível, linda, uma música inesquecível. Estou tão orgulhoso de ter tido a chance de trabalhar com um dos meu maiores ídolos."

As canções do álbum foram compiladas de trabalhos realizados nos três últimos anos e será o primeiro material autêntico de Michael Jackson lançado em nove anos.

Confira abaixo o nome das músicas de "Michael", o próximo disco do Rei do Pop:

1. Hold My Hand (With Akon)

2.Hollywood Tonight

3. Keep Your Head Up

4. The Way You Love Me

5. Monster (com 50 Cent)

6. Best Of Joy

7. Breaking News

8. Another Day (com Lenny Kravitz)

9. Behind the Mask

10. Much Too Soon


Mark Ronson pode lançar álbum de Michael Jackson

O rapper Travie McCoy deixou escapar em uma entrevista que Mark está trabalhando com músicas inéditas deixadas pelo Rei do Pop antes de sua morte
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Mark Ronson 
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Nas premiações do Q Awards ontem à noite, os fãs de Mark Ronson e de Michael Jackson tiveram uma bela surpresa.

Dizem os rumores que o DJ, que venceu o prêmio de inovação na música e está conquistando pistas de dança por onde passa, está trabalhando em músicas inéditas de Michael.

Quem deu a deixa foi o rapper Travie McCoy. Segundo a BBC, em uma entrevista no evento o cantor de Billionaire (feat. Bruno Mars) disse que mal podia esperar para ouvir o novo material.

Ele disse: "Acho que Mark está fazendo alguma coisa. Ele estava me dizendo que está trabalhando num álbum novo."

Quando indagado sobre os comentários de Travie, Mark simplesmente disse: "Ah que fofoqueiro! Não posso falar nada. Não sei nem se posso abrir a boca sobre isso."

Já foi confirmado que Michael realmente deixou muito material sem lançar, suficiente até mesmo para um álbum completamente inédito.


http://www.vagalume.com.br/news/2010/10/26/mark-ronson-pode-lancar-album-de-michael-jackson.html#ixzz17f4E3cro

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Joe Jackson - Se aproveitando, mais uma vez

Eu não queria precisar postar sobre o pai de Michael aqui no blog, mas é necessário.
Vocês devem estar sabendo, o velho Joe Jackson esteve aqui no Brasil para o lançamento do livro: "Michael Jackson, o que REALMENTE aconteceu: o lado escuro da indústria do entretenimento."

só um aviso para quem está pensando em comprar:
ESTÁ LOUCO????????

Fãs de verdade vão pensar mais de 50 vezes antes de pegar nesse livro!
O que o velho Joe Jackson está fazendo? Só se aproveitando de Michael; de novo.
Ele não está nem aí para a morte do filho! Muito ao contrário da mãe de Michael, que chora de verdade quando fala do filho, o velho Joe Jackson só quer ganhar dinheiro.
Ainda que ele estivesse tentando esclarecer coisas, quem é que ri quando escreve um livro sobre a morte do filho/amigo (pra vcs verem, que cara nojento)?
(Obs.: é a primeira e última vez que posto uma foto desse sem-vergonha safado cachorro canalha. E do Rowe)
(Obs.: ainda achei uma foto do Joe Jackson abraçado com a Sabrina Sato. Foi mal aí, Sabrina, não tenho nada contra você mas nem vou comentar o quanto você tem mau gosto)
na entrevista que Joe Jackson e Leonard Rowe deram para o Faustão, Rowe deu uma desculpa muito mal arranjada para a pergunta do Faustão>>
Faustão: Rowe, por que o pai de Michael ficou fora do testamento?
Rowe: Ele nunca ficou fora do testamento. Michael me disse para dar os bens à mãe dele, Katherine, mas eu sei que ele estava querendo dizer para dar ao pai também. 
Raciocinem: Se ele disse: "dê à minha mãe", ele estava querendo dizer: dê à minha mãe.
Podemos quase dizer que Michael odiava seu pai. Na entrevista que Joe deu à Oprah (que postarei no blog no fim de semana), disse que não se arrependia de ter batido nas crianças, pois isso fez delas pessoas melhores. E ainda brigou com a Oprah, porque ela perguntou:
Oprah: Você batia nas crianças?
Joe: Depende: bater ou surrar?
Oprah: Eu não sei a diferença, batia?
Joa: há uma diferença, sim. 
Oprah: bater, surrar... Não faz diferença, deixava marcas nas costas das crianças!
Até que Katherine decide entrar na conversa, para as coisas não piorarem:
Katherine: Sim, ele batia com o cinto.
Oprah: olhando paa o presente, não se arrepende?
Joe: com certeza não. Isso fez deles pessoas melhores.

Tá bem, até parece.
A mensagem que eu queria passar já passei: evitem comprar o livro.

Agora um joguinho (é meio difícl):
Quem é o réptil nojento horrível e sanguinário e quem é o crocodilo?


domingo, 21 de novembro de 2010

Um Negro Consciente - Capítulo Final: Michael e a África



Foto: Michael sendo coroado Rei de uma tribo africana em 1992.

A história da ligação de Michael Jackson com o continente africano é maior e mais intensa do que muitas pessoas imaginam. Ela não se resume ao sangue africano que lhe corria nas veias desde o momento em que nasceu até o momento em que deixou este planeta. Essa ligação ia além do físico e atingia o lado emocional através do fator identificação. A primeira vez que Michael pisou na África foi em 1974. Michael era um adolescente e esteve com seus irmãos em Dakah, Senegal. Ele ficou fascinado por aquele lugar, a afinidade foi imediata. Veja o que Michael disse a esse respeito numa entrevista que concedeu na época:

“Quando descemos do avião na África, fomos cumprimentados por uma longa fila de bailarinos africanos. Os seus tambores e os sons encheram o ar do ritmo. Eu fiquei maluco, eu gritava: ‘Muito bem! Eles têm ritmo... É isso! É de onde venho. A origem’."

Desde então um laço muito forte se formou e uma das metas de vida de Michael passou a ser ajudar aquele continente do qual mais do que nunca, ele se sentia filho.

Em janeiro de 1985, Michael foi chamado para participar do projeto USA For África, criado com o objetivo de arrecadar fundos para aliviar a miséria em várias países africanos (como a Etiópia) enviando alimentos, remédios e outros benefícios necessários; projeto comandado por Harry Belafonte. Ele não pensou duas vezes: a resposta foi “sim”. E ele garantiu que não apenas participaria como também ajudaria a compor uma canção-tema da campanha.

E assim foi feito: Michael Jackson, em parceria com Lionel Richie compuseram a belíssima “We are the world”. De acordo com o que a irmã de Michael, LaToya, contou ao biógrafo J. Randy Taraborrelli, Lionel na verdade compôs apenas algumas partes da melodia e 99% da letra foi escrita por Michael, mas ele nunca fez questão de dizer isso.

No dia da gravação, no estúdio onde se reuniram os maiores e mais prestigiados artistas da música daquela época, Michael, timidamente se dirigiu a eles para falar sobre a música que juntos iam gravar:
“É uma canção de amor para inspirar preocupação por um lugar distante, mas perto de casa”.
Essa frase mostra mais uma vez como Michael se sentia em relação à África.

Com Michael (que já era o maior astro do mundo) à frente, a campanha foi um sucesso total e arrecadou muito dinheiro pra ajudar as vítimas da fome nos países africanos.

Em 1992, quando chegou à África durante a turnê do álbum Dangerous, Michael foi recebido pelos seus fãs africanos no aeroporto com uma faixa que dizia: “Welcome home” (bem vindo ao lar).

Mas ele também queria conhecer suas origens e visitou a tribo Anyi, na Costa do Marfim. Os chefes da tribo consultaram os astros e descobriram que Michael era descendente dos antigos líderes da tribo, seus reis. Ele então, resolveu consultar a “arquitetura de seu DNA” e teve a confirmação que buscava: ele realmente pertencia à dinastia daquela tribo.

Michael foi coroado como um Rei daquela tribo, e ganhou um nome: Príncipe Michael Amalaman Anohin.

Quando Michael faleceu, os chefes da tribo queriam levar seu corpo para a África pra realizaram seu funeral de acordo com suas tradições. Com o pedido obviamente negado, eles velaram seu espírito em uma cerimônia realizada em um campo de futebol.

Eles acreditavam que Michael um dia iria governá-los. Segundo Emmanuel Kassy Kofi, membro da tribo, Michael os protegeu por 17 anos, desde sua coroação.

Aqui está um trecho da entrevista que Michael concedeu à Revista Ebony, na época em que o evento ocorreu, em 1992:

EBONY/JET: Você tem algum sentimento especial a respeito deste seu retorno ao continente da África?

MICHAEL: Para mim é como "o berço da civilização." É o primeiro lugar onde a sociedade existiu. Ele (o continente) viu muito amor. Acho que há essa conexão porque ele é a raiz de todo o ritmo. Tudo. It’s home.
(obs: fica difícil traduzir isso ao pé da letra, mas acho que dá pra perceber que Michael está chamando a África de “lar”).

EBONY/JET: Você visitou a África em 1974. Você pode comparar e contrastar as duas visitas?

MICHAEL: Sou mais consciente das coisas desta vez: a pessoas e como eles vivem e o seu governo. Mas para mim, sou mais consciente dos ritmos, a música, as pessoas. Isso é o que eu tenho percebido mais do que qualquer coisa. Os ritmos são incríveis. Você pode falar especialmente da maneira como as crianças se movem. Até mesmo os bebês pequenos, quando eles ouvem os tambores, eles começam a se mexer. O ritmo, o modo como ele afeta suas almas e eles começam a se mexer. É a mesma coisa que os negros têm na América.

EBONY/JET: Como se sente sendo um verdadeiro rei?

MICHAEL: Eu tento nunca pensar muito nisso porque não quero que isso suba à minha cabeça. Mas é uma grande honra.

Ter “sangue real” não é pra qualquer um. E Michael, mesmo sabendo disso, não perdeu a humildade.

Em 1997, Michael esteve na África do Sul pra realizar um show da turnê HIStory onde se apresentou para 47 mil pessoas no estádio de Joanesburgo. Depois ele foi a uma cerimônia onde se tornou membro honorário da tribo africana Bafokeng Ka Bakwena (Povo do Crocodilo). Essa é uma das tribos mais ricas do país porque eles possuem a segunda maior reserva de platina do mundo. Michael, de braço dado com Lisa Presley (de quem já estava divorciado!) desfilou em meio aos nativos, cumprimentado a todos, sorridente. Seus pais Katherine e Joseph, que estavam lá com Michael, também receberam certificados de “cidadania”.

Em 2002, Michael novamente visitou a África e foi recebido e festejado pelos nativos como um verdadeiro rei.

Michael esteve na África outras vezes e sempre apoiou as questões ligadas à raça negra e sua cultura. Sempre esteve ao lado de personalidades como Nelson Mandela (veja a foto abaixo).



A forte ligação de Michael com a África também pode ser percebida no seu trabalho. Vou citar alguns:

No álbum “Thriller” de 1982, ouvimos no final da música “Wanna be startin’ somethin’” um coro cantando “ma ma se ma ma sa ma ma coo sa”, uma canção que foi primeiramente usada pelo saxofonista camaronês Manu Dibango, que invadiu o mercado americano em 1973 com a música “Sou Makossa”. Esta canção de Manu, foi um grande sucesso nos continentes africano, europeu e americano.

No álbum “Bad” de 1987 temos a música Liberian Girl, que significa “Garota Liberiana” (liberiano é o mesmo que natural da Libéria, país africano). A música é bela, delicada e Michael a ofereceu à Elizabeth Taylor, assim como em seu clipe reuniu diversos amigos a quem queria homenagear.

Mas a inspiração veio de novo, da África. A introdução da música é uma frase em um idioma africano (provavelmente liberiano), onde uma voz de mulher recita: “Naku penda piya, Naku taka piya, Mpenziwe”, que significa: “Eu amo você também, eu quero você também, meu amor”.

No filme “Moonwalker”, de 1988 vemos no final, um grupo de cantores negros cantando uma música em algum dialeto africano enquanto dançam uma coreografia bem típica de seu continente.

No clipe de “Black or White”, Michael aparece dançando com todos os grupos raciais, inclusive com uma tribo Africana.

Nos clipes de Michael sempre vemos artistas negros, inclusive africanos como a modelo Ímã por exemplo. Por falar nisso as musas de Michael são na maioria de seus clipes, negras, como em “Thriller”, “Smooth Criminal”, “Remember the time” (Ímã), “In the Closet” (Naomi Campbell), “Blood on the dance floor” e “You rock my world”. Isso sem falar em “The way you make me feel”, em que a musa é mestiça.

Numa entrevista que deu à Diane Sawyer em 1995, juntamente com sua esposa na época, Lisa Marie Presley, Michael disse que tinha vontade de se mudar pra algum outro país, como a África do Sul.

Michael também foi um dos artistas (senão o artista) que mais contribuíram financeiramente com o combate à fome e à miséria na África, e também com diversos movimentos negros (por exemplo: em 1984 doou todo o seu dinheiro recebido com a “Turnê da Vitória” pra três instituições de caridade, dentre elas o Fundo Universitário para os Negros).

Enfim... como se pode ver, Michael Jackson jamais negou seu sangue, sua raça, sua origem. Pelo contrário: sempre se orgulhou de ser negro, de descender de africanos e de toda a cultura e história da raça negra.

Michael foi um negro consciente, durante toda a sua vida. Consciente de sua etnia, de suas raízes, de seu papel na sociedade e no mundo. A pessoa que disser que ele não tinha a chamada “consciência negra”, ou está mentindo ou então é muito mal informada a respeito desse mito da música mundial.

Ele conseguiu romper as barreiras raciais e fez o mundo conhecer, respeitar e se importar com o continente que ele chamava de “lar” e que considerava como “o berço da civilização” – a ÁFRICA.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Michael e o Vitiligo




(Segundo capítulo de MICHAEL JACKSON - Um Negro Consciente)






No comecinho dos anos 80, Michael Jackson enfrentava um sério problema que não tinha coragem de revelar a ninguém. Manchas esbranquiçadas lhe surgiam pelo corpo, deixando-o bastante intrigado.

Michael já tinha enfrentado as espinhas na fase da adolescência e tinha sofrido muito com isso. Seu pai, irmãos e primos implicavam com ele por causa disso, os fãs não disfarçavam o espanto ao vê-lo com o rosto coberto por enormes espinhas e ele chegou a ficar com vergonha de sair de casa. Sendo assim, como ele iria mostrar aos parentes algo ainda pior que espinhas? Achou melhor ficar quieto e não contar nada a ninguém sobre as manchas.

À medida que essas manchas aumentavam, ele ia inventando novas maneiras de cobri-las ou disfarçá-las, como maquiagem e luvas. Com o tempo elas foram ficando cada vez maiores e mais numerosas, por todo o corpo, inclusive partes cada vez maiores de seu rosto. Michael ficou apavorado e pensou que pudesse estar com algum tipo raro e grave de câncer de pele. Resolveu consultar um dermatologista.

Assim, em 1983, Michael foi pela primeira vez à clínica do Dr. Arnold Klein e foi diagnosticado como portador de uma doença incurável e não-contagiosa de pele, de causa genética e que pode ser desencadeada e/ou agravada por fatores emocionais e estresse. Essa doença se chama VITILIGO e atinge pelo menos 1% da população mundial, segundo pesquisas. Ela provoca a despigmentação da pele em áreas maiores ou menores, de acordo com o grau da doença, que varia de pessoa pra pessoa. Michael Jackson teve o chamado “vitiligo universal”, que afeta mais de 50% do corpo deixando poucas partes em sua cor original. Quem tem a doença deve evitar o sol porque a pele fica extremamente sensível e pode sofrer queimaduras e até câncer de pele. Eis o porquê de Michael usar chapéu e guarda-chuva até dentro de seu próprio quintal. O vitiligo aparece mais comumente nas seguintes idades: dos 10 aos 15 anos, e dos 20 aos 40. Michael Jackson tinha pouco mais de 20 anos quando as manchas começaram a aparecer.

Para saber mais sobre a doença VITILIGO, acesse:
http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?456

A reação de Michael a essa notícia foi a esperada: desespero, depressão, medo. “Ah, meu Deus! Essa não! Eu sou uma aberração!”, desabafou ele. Foi aí que ele foi aconselhado pelo seu médico a procurar a enfermeira e recepcionista, Debbie Rowe (que anos mais tarde viria a ser a mãe de seus dois filhos mais velhos) pra obter mais informações sobre o vitiligo.

Michael e Debbie ficaram amigos. Ele ligava pra ela às vezes de madrugada pra chorar as mágoas e ouvir conselhos de como lidar com a doença. Ou melhor: como viver – e conviver – com ela. Ou... melhor ainda, como suportá-la! Michael sentia como se estivesse vivendo em um pesadelo. Mas sempre que acordava, lá estavam as manchas, sempre aumentando, se multiplicando, se alastrando pelo seu corpo, derrubando cada vez mais sua auto-estima.

Michael continuou fazendo o que já fazia antes: disfarçava as manchas com maquiagem. Acabou tendo que revelar este seu segredo às pessoas mais próximas como, além da família, sua maquiadora Karen Faye.

Karen explicou, em uma entrevista de 2003, o que aconteceu naquela época. Segundo ela, Michael escondeu a doença dela por um tempo, depois não deu mais. Ela passou então, a ter a missão de encobrir as cada vez maiores partes descoloradas da pele dele. Chegou a um ponto que ele tinha que maquiar os braços quando ia aparecer em público usando camisas de mangas curtas.


As luvas e um pouco de maquiagem escura nas faces já não bastavam mais. Nos shows, Michael suava e a maquiagem costumava ir embora. Por isso ele foi obrigado a usar camadas cada vez mais grossas de base marrom. Mas nunca conseguia um resultado satisfatório na tentativa de uniformizar a cor da sua pele.

Vamos entender porque: parte da testa de Michael, assim como suas pálpebras e parte do queixo mantinham sua cor natural. Suas bochechas e quase todo o nariz estavam brancos. Ao cobrir apenas as partes afetadas pelo vitiligo ficava evidente que ele passara maquiagem em algumas partes do rosto e outras não.

Veja a foto abaixo:



Ao tentar maquiar o rosto todo, ficava artificial e desigual, já que a mesma maquiagem ganhava um tom sobre as partes escuras e outro sobre as partes claras. Observe a foto abaixo:


Foi aí que sua maquiadora assim como seu dermatologista disseram que estava na hora de fazer o contrário: parar de tentar escurecer as partes brancas que já eram predominantes, atingindo mais de 50% do corpo de Michael e passar a clarear as cada vez menores partes escuras.

Karen então sugeriu que Michael passasse por uma transição: ela usaria nele (no rosto e nas partes expostas de seu corpo) uma maquiagem em um tom intermediário que o faria ficar mais natural e com um tom de pele único. Michael passou então, a usar sempre uma grossa maquiagem cor de Nescau, que igualava sua pele. Nas pontas dos dedos (parte em que suamos mais) ele enrolava esparadrapos, principalmente durante os shows. Nessa fase que começou por volta de 1985 ou 86 e caracterizou toda a chamada “Era Bad” (por causa do disco “Bad” lançado em 87), Michael estava moreno, mais claro que sua cor original (o que deu origem aos boatos de que ele estaria usando cremes e até injeções pra ficar branco).

Aqui temos três fotos de uma mesma fase de Michael:

Primeiro o vemos em uma de suas últimas tentativas de manter o tom original de sua pele, cobrindo com maquiagem escura as partes despigmentadas pela doença. Essa foto acima é de 86.


Nesta foto (acima) do mesmo ano, o vemos em sua casa, num de seus “home-vídeos”durante um ensaio da coreografia pro filme da Disney “Captain EO”. Ele não está produzido (inclusive está com o cabelo desarrumado), está sem maquiagem nenhuma, portanto vemos seu rosto quase todo já tomado pela doença.
Agora, em foto de 87, no vídeo-clipe de “Bad”, o início da transição: a maquiagem pesada que igualava sua pele em um único tom intermediário entre sua cor original e a cor (ou falta dela) causada pelo vitiligo:


Em 1990 Michael foi diagnosticado também com lupus, pelo Dr. Arnold Klein. Ele inclusive tinha a doença no couro cabeludo. Agora uma especulação minha: talvez isso explique os cabelos brancos de Michael, já que uma vez que o vitiligo (ainda mais acrescido de lupus) atinge o couro cabeludo, os cabelos também perdem a melanina, ficando brancos. Portanto, pelo jeito... não foi apenas por causa da idade que Michael tinha ficado com aquelas raízes brancas que aparecem naquela imagem flagrada pelos paparazzi (essa foto está aqui no blog nos seguintes posts: “Vídeo: A verdade por trás das mentiras” e “Boatos e mais boatos”...).

Foi nessa época que o dermatologista prescreveu pra Michael o uso do creme benoquin, pra clarear as poucas partes - que naquela época já pareciam pequenas pintas ou manchas - escuras que restavam no corpo dele.

Veja a foto abaixo:


Com o uso constante desse medicamento, Michael pôde mostrar mais as mãos e passou a maquiar apenas o rosto e as pequenas manchas escuras das partes do corpo que ficariam visíveis (já menos escuras após ter começado a usar frequentemente o benoquin).

Foi assim que ele surgiu em novembro de 1991, em “Black or White” e teve que aturar a mídia e pessoas de todo o mundo dizendo: “Mas ele está cada vez mais branco!”.
Há boatos de que Michael, ainda nos anos 80, teria usado um creme clareador de pele chamado “Porcelana”, que era vendido sem prescrição médica. Ele teria tentado atenuar o contraste das manchas em sua pele escura por conta própria, antes do médico lhe prescrever o benoquin. Mas isso é apenas especulação, ainda mais que pelo que andei me informando, esse creme tem um efeito irrelevante. Dizem as más línguas que LaToya também usava esse creme pra clarear a pele. Mas pelas fotos de LaToya quando criança e adolescente vemos claramente que ela SEMPRE foi a mais clara de todos os irmãos (seguida de Jackie). Ela SEMPRE teve exatamente a cor de pele que tem hoje. Portanto, se usou o tal creme, não fez efeito nenhum. (Veja fotos antigas de LaToya aqui neste blog no post “A Família Jackson – fotos, nomes e nascimento de cada um”).

Além disso, negros costumam parecer mais ou menos claros de acordo com vários fatores: maquiagem, iluminação, fotografia, etc... Assim como brancos também costumam parecer mais ou menos morenos de acordo com esses mesmos fatores.

Em fevereiro de 1993, cansado de toda essa boataria, Michael finalmente tomou uma das decisões mais difíceis de sua vida: revelar ao mundo que sofria de vitiligo, algo que ele desejava esconder até de si próprio. Depois de muitos anos dando apenas pequenas entrevistas e declarações onde praticamente não falava de sua vida pessoal, Michael resolveu aceitar aparecer no programa de Oprah Winfrey e conversar com ela sobre tudo, respondendo a tudo o que ela lhe perguntasse. Ele sabia que esse assunto surgiria e se preparou pra contar toda a verdade.

Abaixo, uma foto de Michael com Oprah em Neverland durante essa entrevista (da qual já postei vários outros trechos esclarecedores aqui neste blog):


Durante a entrevista, Michael realmente respondeu a todas as perguntas e esclareceu muita coisa. O momento da revelação veio com uma pergunta sobre um comercial da Pepsi. 
A pergunta feita por Oprah foi a seguinte:

Recentemente houve uma história sobre você querendo um menino branco pra interpretar você num comercial da Pepsi...

Michael, que pelo jeito ainda não sabia de mais esse boato, respondeu indignado:

Isso é tão estúpido! Essa é a história mais ridícula e horrível que já ouvi. Isso é loucura! Porque, em primeiro lugar, é o MEU rosto quando criança no comercial. EU quando EU era pequeno. Por que eu iria querer uma criança branca pra me interpretar? Eu sou um negro-americano, eu sou ORGULHOSO da minha raça, eu sou orgulhoso de quem eu sou. Eu tenho muito orgulho e dignidade. Isso seria como você querendo uma pessoa oriental pra interpretar você quando criança. Isso faz sentido?

Essa reação de Michael, provavelmente deixou muita gente de queixo caído ao ver toda aquela teoria da mídia de que “Michael tinha vergonha de ser negro” indo por água abaixo.

Em seguida, Oprah fez a pergunta que parecia estar coçando em sua garganta pra sair desde o começo da entrevista:

Ok, então vamos à questão mais discutida sobre você que é a cor da sua pele… está obviamente muito diferente de quando você era mais jovem, então eu acho que isso tem causado muita especulação e controvérsia sobre o que você fez ou está fazendo, se você está clareando sua pele, e sua pele está ficando mais clara porque você não gosta de ser negro? Então houve uma pequena discussão entre Michael e Oprah sobre “maneiras de clarear a pele” (Michael disse que não acreditava ser possível um negro clarear a pele – o que me faz rejeitar “a teoria da ‘Porcelana’” – e Oprah dizia que com baldes e baldes de um certo creme clareador era possível atingir um tom mais claro de pele).

Michael explicou o que aconteceu com sua pele:

Eu tenho uma doença de pele que destrói a pigmentação da minha pele. Isso é algo que não posso resolver, certo? MAS QUANDO AS PESSOAS INVENTAM HISTÓRIAS DE QUE EU NÃO QUERO SER O QUE EU SOU, ISSO ME MACHUCA. É um problema pra mim que eu não posso controlar… mas o que dizer dos milhões de pessoas que se sentam sob o sol pra ficarem mais escuras, pra ser diferentes do que elas são? Ninguém fala nada sobre isso.
Oprah quis saber quando a doença começou e Michael explicou:

Oh, cara, eu não (não lembrava com exatidão)... um pouco depois de Thriller, ou mais ou menos entre Off the wall e Thriller, por aí… (Realmente, foi entre Of the wall e Thriller que ele começou a perceber o aparecimento de misteriosas manchas brancas em seu corpo). Isso vem da minha família, meu pai disse que é do lado dele. Eu não posso controlar, eu não entendo. Quero dizer que isso me deixa muito triste. Eu não quero entrar na questão do meu histórico medico porque isso é assunto privado, mas a situação é essa. Oprah disse que seria direta então, e perguntou:

Então você não está fazendo nada pra mudar a cor da sua pele? Michael visivelmente ofendido respondeu:

Oh, Deus, não! Nós tentamos controlar isso usando maquiagem pra disfarçar porque a doença causa manchas na minha pele. Eu tenho que igualar a cor da minha pele. Mas sabe o que é engraçado, por que isso é tão importante? Não é tão importante pra mim, eu sou um grande fã de arte. Eu amo Michaelangelo. Se eu tivesse tido a chance de falar com ele ou ler sobre ele eu gostaria de saber o que o inspirou a se tornar o que se tornou, a anatomia de sua habilidade e não sobre com quem ele saiu na última noite. Michael estava coberto de razão. Fazia alguma diferença que ele estivesse preto ou branco? Por acaso essa doença (assunto tão particular e delicado pra ele) tem alguma coisa a ver com seu talento, com sua música, com sua dança, com sua obra artística? NÃO. Mas as pessoas preferem muitas vezes discutir a cor da pele dele e o número de plásticas feitas, assim como sua sexualidade e outras fofocas do que conversar sobre seus discos, sobre quais são as músicas mais bonitas, sobre quais clipes preferem, sobre como ele fez esse ou aquele difícil passo de dança...

Por causa de toda essa importância dada à aparência de Michael e todo o crédito dado à boataria e mentirada da mídia sensacionalista, Michael teve que fazer isso: se abrir sobre um assunto tão complicado, um assunto que tentara por mais de uma década, esconder do público. As coisas teriam sido mais fáceis pra ele e sua vida bem mais calma se as pessoas tivessem dado menos importância à cor de sua pele!

Mas... mesmo tendo que passar por isso, ter que revelar um fato tão desagradável de sua vida pessoal, Michael não se livrou de aborrecimentos quanto a este assunto, porque teve gente que continuou acreditando no que a mídia dissera antes: que ele queria ser branco e clareara a pele de propósito. Mesmo ele tendo desmentido isso!

Muitas pessoas que não sabiam da existência do vitiligo andaram debochando de Michael e dizendo: “Legal! Que doença mais conveniente seria essa que é capaz de deixar um negro branquinho?”

Quando ele fez essa revelação, foi mostrado no Jornal Nacional e eu acreditei 100% nele porque percebi que as peças do quebra-cabeça finalmente se encaixavam. Michael estava mais claro por fora, mas mais negro por dentro. Mantinha sua origem musical, suas raízes culturais, valorizava cada vez mais o talento de artistas negros, contribuía com entidades voltadas pra negros, vivia indo à África, que chamava de “home” (lar). Eu sabia que ele não tinha vergonha e nem negava sua raça. Então com essa revelação tudo se encaixou. A verdade estava ali, clara como água, na frente dos nossos narizes!

Mas... pior cego é aquele que não quer ver. Era mais conveniente pros tablóides inescrupulosos fazer as pessoas continuarem acreditando na mentira e ignorando o que o próprio Michael havia feito “das tripas coração” pra revelar.

A palavra de Michael devia bastar. Pra mim (e pra muita gente, graças ao bom Deus), bastou. Mas... pra outras tantas pessoas não bastou e por isso, fazem questão de ter outras evidências.

Felizmente as fotos que mostravam o vitiligo de Michael, publicadas em revistas dos anos 80 e 90 foram escaniadas por pessoas que querem mostrar a verdade e colocadas na internet, inclusive no youtube. Mas infelizmente muitas pessoas só estão se interessando em procurar por essas fotos agora, que nosso Rei do Pop partiu da Terra! Lembro que comprei uma revista em 1993, uma Manchete (cuja capa postei neste blog) e fiquei um tempão olhando praquela foto enorme de capa, com lágrimas nos olhos. Michael, com o rosto muito suado (provavelmente não tivera tempo ou paciência de ficar retocando a maquiagem nos intervalos entre as músicas) estava já com poquíssima maquiagem cobrindo suas manchas; assim pude percebê-las com bastante clareza.

Me coloquei no lugar dele e pude sentir o drama. Será que as pessoas que o julgam já fizeram isso alguma vez? Se colocar no lugar dele? Imagino que não... Elas não fariam isso. Se fizessem não seriam tão duras e implacáveis!

Bom... já mostrei as fotos que não deixam dúvidas a respeito do vitiligo de Michael.

Mas agora faço questão de mostrar o que disseram a esse respeito pessoas que conheceram o Michael, que lidaram com ele:

Janet Jackson, irmã caçula de Michael disse, nos anos 90: “Michael tem uma doença de pele, mas não é o único da família que a tem. Isso não quer dizer que seus irmãos e irmãs têm que ter essa doença. Mas temos parentes mais distantes que a têm.” Jermaine Jackson, irmão de Michael disse: “Michael tem uma forma de lupus que interfere na pigmentação da pele”. Joe Jackson, pai de Michael entregou à imprensa umas fotos pessoais do Michael pra provar que ele sofria de vitiligo. Nessas fotos, Michael ergueu a calça pra mostrar uma ferida em sua perna. Aqui está uma dessas fotos (com um “close” na perna de Michael):


Dr. Arnold Klein, o dermatologista de Michael, declarou que Michael sofria de vitiligo, que o diagnóstico foi feito em 1983 e que lhe prescreveu o benoquin em 1990 porque chegou a um ponto que já não dava mais pra cobrir a pele com maquiagem e seria ridículo Michael insistir naquilo. Estava na hora de tentar igualar a pele ao máximo possível, clareando as poucas partes escuras do corpo. OBS: Ainda assim, Michael jamais conseguiu uniformizar totalmente a cor de sua pele, sempre teve manchas marrons pelo corpo (embora elas já estivessem em um tom mais claro de marrom do que o original – isso por causa do uso do benoquin). Karen Faye, maquiadora de Michael que o acompanhava direto, declarou: “Michael está quase totalmente destituído de sua cor original agora. Seu rosto ficou seriamente desigual em cores. Ele tem uma doença de pele. Ele tentou escondê-la até de mim. Michael sempre tentava cobrir essas manchas com maquiagem e igualar o tom de sua pele, até que ficou extenso demais. Estava por todo seu corpo. No começo eu tentava cobrir as partes claras pra combinar com as partes escuras de sua pele. Mas alastrou tanto que tivemos que fazer o contrário: cobrir as partes escuras com maquiagem clara porque todo seu corpo tinha sido afetado. Antes ele tinha que maquiar todo seu corpo (com maquiagem escura), cada polegada de seu corpo. Quantas vezes você costuma ver Michael revelar seus braços e pernas? Raramente. Se compararmos as roupas dele da “Victory Tour” (1984) com as da “Triumph Tour” (1981) então veremos a diferença no que ele usava. O rosto de Michael estava totalmente desigual em cores. Quando se branqueia a pele, se aplica o agente descolorante por todo o rosto e ele não provoca manchas. Michael não tinha nenhuma necessidade de clarear sua pele por razões estéticas. O argumento que as pessoas me apresentam é de que Michael queria atingir um público maior, então dizer que ele branqueou sua pele é totalmente falso. Depois do sucesso de “Thriller”, que se tornou o álbum mais vendido no mundo em 1984, ele já era um fenômeno global. Não havia razão nenhuma pra ele querer atingir a um público maior, porque ele já tinha um público maior do que qualquer outro superstar jamais teve. Michael já tinha de 30% a 50% de seu corpo com vitiligo, e ele estava sempre sob o olhar público, constantemente sendo fotografado. Então seria tão embaraçoso ele aparecer nos shows, nos eventos, nas suas performances com a pele manchada quanto usar um sapato de cada cor. Então ele teve que fazer a despigmentação, porque a repigmentação é uma descoberta pros pacientes recentes dessa doença. Então, no começo dos anos 90 ainda não havia essa alternativa. Assim, notamos que Michael foi ficando mais e mais claro até aparecer literalmente branco por volta de 1996.” A repórter Glória Maria, que conversou com Michael por cerca de 15 minutos no Brasil em 1996 disse, em entrevista dada à revista “Contigo!” dois dias após o falecimento de Michael : “Subi a pé o Dona Marta. Cheguei morta e suja! A primeira coisa que observei é que ele era realmente muito branco, mas era um branco de doença. A pele era quase transparente. Eu me senti culpada por ter pensado que ele queria ficar branco de propósito. Comprovei que ele era humilde e muito triste. Não era amiga dele mas me identifiquei com sua história de sofrimento e de dor, que é uma história comum aos negros.” Ela ainda disse que Michael não era fresco e nem tinha medo de germes. “Ele não me deu entrevista, me entrevistou. Isso foi o mais impressionante. Ele me deu um beijo. Foi incrível. Eu estava toda suada, se ele realmente tivesse frescura com germes e bactérias, jamais faria isso. Em tão pouco contato, Michael demonstrou o quanto era doce.”
Glória já havia falado sobre isso antes no Fantástico em uma entrevista que ela deu pouco tempo depois de ter estado com Michael.

Em 1993, Michael vivia maquiado constantemente. Porém, durante as acusações de pedofilia ele estava arrasado e andou descuidando-se da aparência. Um de seus assessores de imprensa contou como a aparência Michael estava quando o recebeu em um apartamento que mantinha em Los Angeles: “Ele estava com péssima aparência, como se não dormisse há dias. Estava sem maquiagem, de modo que seu rosto parecia esfacelado, manchado. Estava magro e debilitado, apresentou-se de pijama.”
O garoto brasileiro que foi atropelado por uma van da comitiva de Michael em 1993, Márcio Alberto de Paula (hoje adulto), certa vez disse que não achou aquele branco da pele de Michael normal.

J. Randy Taraborrelli em sua biografia “A Magia e a Loucura” faz várias especulações sobre a aparência de Michael, mas apenas uma afirmação vinda de fontes seguras (como seu dermatologista): Michael realmente sofria de vitiligo. Isso é fato.

Já vi várias pessoas dizendo uma coisa muito sensata: se Michael quisesse mesmo mudar de raça, se ele estivesse mesmo querendo ser branco, seria muito mais fácil clarear os cabelos como tantos negros e negras fazem e colocar uma lente de contato azul ou verde nos olhos do que clarear a pele. No entanto ele jamais mudou a cor de seus cabelos ou olhos. Aliás, mudou um pouco a cor dos cabelos, sim: eles eram castanho-escuros e ele os tingiu... de preto. Se não queria nem ao mesmo clarear os cabelos ou olhos por que iria passar por um processo tão complicado (e que hoje sabemos ser IMPOSSÍVEL) de tentar clarear a própria pele?

Aí as pessoas falam das plásticas. Vou apenas resumir esse assunto porque já expliquei aqui o porquê das plásticas dele: Michael não gostava de seu nariz porque seus irmãos o chamavam de “narigudo” (era ele quem tinha o maior nariz entre os irmãos) e não queria se parecer com o pai. Michael queria ter um nariz mais afilado como o de Diana Ross por exemplo, embora não quisesse realmente se parecer com ela como os tablóides sugeriam na época. Assim, Michael mudou o nariz várias vezes (cirurgiões plásticos especulam que há alguns anos ele teve que tirar substância das bochechas pra reconstruir a cartilagem do nariz – de fato ele estava com o rosto mais fundo nas laterais). Michael também realizou seu desejo de ter um furinho no queixo. Mas por outro lado sempre gostou de seus lábios carnudos e se é que mexeu neles, foi pouquíssimo. Michael sempre teve aquele belo “bocão”.
Aqui está a prova de que Michael não mudou tanto quando se alardeia:


Apenas o nariz mudou bastante. O rosto ficou mais fino devido ao emagrecimento, o queixo ganhou um furinho e... só. Os olhos estão iguais (apenas ele pinsou a sombrancelha) e os lábios NÃO parecem mais finos. Não sei onde inventam tanta diferença! Que ele fez plásticas ninguém nega (nem ele). Mas não foram tantas assim. E de que importa quantas foram? E... como ele bem disse: “A cirurgia plástica não foi inventada pra Michael Jackson”.

Tantas outras celebridades fizeram mudanças drásticas e realmente propositais em suas aparências e no entanto a mídia nunca “encarnou” nessas pessoas tanto quanto em Michael! Marylin Monroe tacou água oxigenada nos cabelos, os cortou à altura do queixo, mudou seu nome (que era Norma Jean Baker) e fez plástica no nariz. Elviz Presley fez o contrário: pintou os cabelos de preto e dizem que também fez cirurgias plásticas sei lá onde. Madonna era gordinha e tinha cabelos escuros, ficou loura, magrela e musculosa. Paula Toller, do Kid Abelha, fez várias plásticas, alisou e deixou crescer os cabelos, os descoloriu (ficando louros-quase-brancos) e colocou nos seus olhos escuros olhos lentes de contato azuis. Xuxa fez uma plástica no nariz e colocou silicone nos seios. O ator Jackson Antunes tinha nariz de batata e o operou, o fazendo ficar mais afilado. O cantor Juca Chaves também operou o nariz e tantos outros famosos também passaram por mudanças radicais. Mas... não se fala deles.

Por que Michael é o principal alvo? Ele na frente, seguido de suas duas irmãs LaToya e Janet (que também fizeram plásticas pra afinar o nariz – elas também costumam clarear os cabelos assim como sua mãe, Katherine já fez). A repórter brasileira Glória Maria também fez plástica no nariz como tantos outros negros e negras. Geralmente são sempre criticados, porque na nossa sociedadezinha hipócrita e racista os negros não podem mudar de visual porque fazendo isso estão “renegando sua raça”, sua “negritude”. Então por que não dizem que Elvis ao pintar o cabelo de preto estava renegando sua “louritude” e querendo virar moreno ou negro? Por que não acham feio quando um branco se bronzeia, faz permanente nos cabelos ou muda totalmente o formato de seu nariz? Quantas pessoas brancas, principalmente mulheres já fizeram implantes de silicone nos lábios pra aumentá-los, torná-los mais carnudos? Muitas, mas muitaaaasss mesmo! Mas ninguém as acusa de estarem renegando as características da raça branca!

O negro é vítima de mais esse preconceito: não ter o direito de mudar algo em si. E por ser o Rei do Pop e sofrer de vitiligo Michael Jackson se tornou o maior exemplo desse lamentável fato.

Outra coisa: Michael alisava o cabelo, sim. Mas não era com a intenção de esconder suas origens. É bom lembrar que nem sempre ele os alisava. Sempre que saía em turnê ele deixava seus cachos naturais à mostra. Talvez fosse puro charme, ou também por praticidade já que devia ser trabalhoso manter os cabelos lisos durante as turnês. Mas fosse por esse ou aquele motivo, fato é que nos shows e em alguns clipes podíamos ver os cabelos crespos de Michael nos lembrando de sua raízes africanas. Prova de que ele não as queria esconder.

James Brown alisava os cabelos, sempre. Usando é claro, os recursos falhos de sua época. Mas alisava. E não foi muito criticado. Provavelmente porque não teve a infelicidade de ter vitiligo. Tem gente que acha que seria muito mais fácil Michael ter contato que tinha vitligo logo que descobriu a doença. Mas será que é fácil pra um artista famoso (ainda mais mundialmente como Michael) falar de um assunto que o deixa constrangido ou complexado? Por acaso vemos Roberto Carlos falar na boa por aí que tem uma perna mecânica? Claro que não!

Portanto, deixemos Michael Jackson em paz. Todos que não lhe deram nem ao menos o benefício da dúvida quando ele declarou-se com vitiligo preferindo ignorar o que ele disse ou mesmo desacreditá-lo só pra continuar tendo o prazer mórbido de acusá-lo de auto-racismo têm agora provas contundentes de que estavam redondamente errados. Bom... têm as provas, mas terão a humildade de reconhecê-las? Saberão agora agir com imparcialidade ou continuarão difundindo mentiras e julgando injustamente seu próximo?

Michael Jackson é nosso próximo. É filho de Deus como todos nós. Pertence à sua família, aos seus amigos, à sua imensa legião de fãs e à todos que o amaram. Também pertence à nação estado-unidense, ao continente americano, à comunidade negra, ao meio artístico, ao mundo da música, da dança e da dramaturgia. Pertence à cultura mundial, à raça humana, ao planeta Terra, ao Universo. É nosso semelhante e é o próximo de cada um de nós, daqueles que gostam dele e também dos que não gostam. Daqueles que o admiram e também dos que o invejam. Daqueles que o aceitam e também dos que o discriminam. Daqueles que o aplaudem e se emocionam com ele, com sua arte criativa e versátil, com seu talento genial, com sua humildade rara, com suas atitudes nobres, com seu brilho natural, com seu carisma incomum... E daqueles que o julgam por atitudes que ele teve e outras que ele não teve mas que acham preferível continuar fingindo crer que teve, porque isso torna a fofoca mais interessante.

Ele não está mais aqui, mas continua sempre muito próximo... de mim. Por isso estou aqui pra (assim como outras pessoas que – sendo ou não fãs de Michael – têm senso de justiça e mantém os olhos bem abertos), mostrar e comprovar A VERDADE, que nesse caso é essa:


MICHAEL JACKSON TEVE VITILIGO.

ELE NUNCA TEVE PRECONCEITO CONTRA SUA PRÓPRIA RAÇA.

ELE NÃO ERA INFELIZ POR SER NEGRO.

ELE NÃO CLAREOU SUA PELE DE PROPÓSITO NEM FEZ PLÁTICAS POR QUERER SE LIVRAR DE SUA RAÇA.

ELE SE ORGULHAVA E MUITO DE SEU SANGUE AFRICANO (e é justamente sobre isso que vou falar – e mostrar – no terceiro e último capítulo deste texto MICHAEL JACKSON, UM NEGRO CONSCIENTE, capítulo intitulado “Michael e a África”).
 

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Um Negro Consciente - Capítulo 1: Michael e o Racismo


Foto: Michael posando para a revista Ebony (dirigida à comunidade negra), em 2007. Ele saiu na capa dessa revista várias vezes. Esta aqui foi uma seção de fotos pra uma edição comemorativa dos 25 anos do álbum mais vendido da história: "Thriller". Quando criança Michael era um menino travesso, contente, extrovertido... Pelo menos no palco e nas brincadeiras com os irmãos. Tirando o medão que sentia do pai (enérgico demais) e o fato de ter que trabalhar desde os cinco aninhos de idade, ele era uma criança normal. Nasceu e cresceu em Gary, em um bairro de negros. Usava penteado afro assim como seu pai e irmãos, ouvia música negra e seu maior ídolo era James Brown. Michael era como todo menino de sua raça.

Em nenhum momento, em nenhuma fase de sua vida (nem depois de adulto ou na difícil adolescência quando teve vergonha de sair de casa por causa das muitas espinhas que brotaram em seu rosto), EM NENHUM MOMENTO ele demonstrou ter algo contra a raça negra, ou preferir ter nascido branco. Se mostrou chateado com sua aparência como acontece com quase todo mundo. A gente sempre tem algo de que não gosta e que se pudesse, mudaria. Com Michael não foi diferente. Ele não gostava de seu nariz, que o fazia parecer com seu pai. Mas repito, ele nunca teve problemas com a sua origem, com a sua raça. Pelo contrário: tudo nele tinha ligação direta e fortíssima com a raça e a cultura negras.

Mas essa identificação com a cultura de sua raça, não o impedia de admirar o talento que independe da cor: além de James Brown, eram ídolos de Michael: Summy Davis Jr, Fred Astaire, Gene Kelly, Charlie Chaplin, Diana Ross, Elizabeth Taylor, entre outros negros e brancos, homens e mulheres, cantores, dançarinos e atores... Eles lhe serviam de inspiração.

Até hoje tem gente que diz: “Michael Jackson nunca falava sobre raça, sobre racismo, sobre ser negro”. Ledo engano. Ele falava sim! Sempre falou, naturalmente. As pessoas que acreditaram na história dele querer ficar branco, acham que este assunto era um tabu pra ele e que ele o evitava. Não é verdade.

Já na infância, Michael conheceu a história de seu ídolo Sammy Davis Jr. (contada a ele e seus irmãos por seu pai, Joseph), que fazendo um parêntese aqui, vou contar agora:
Em 1945 Sammy e sua família foram contratados pra se apresentarem em um prestigiado hotel de Las Vegas. Mas eles poderiam apenas SE APRESENTAR lá, e não ficar hospedados junto com os brancos. Aquele (e outros) hotéis não hospedavam negros. Assim, eles tiveram que ficar hospedados em uma pensão pra negros, onde funcionários do hotel ficavam. Os negros também não podiam freqüentar cassinos nem casas de shows! Não podiam misturar-se socialmente com os brancos.

Mas... com paciência, persistência e muito talento (e uma força do amigo Frank Sinatra), Sammy conseguiu, depois de anos, romper essa barreira. Graças ao seu sucesso e influência, Sammy derrubou a segregação racial que existia naquela cidade e as coisas começaram a mudar. Os negros passaram a ter direito de se hospedar nos hotéis “de brancos” e também participar da vida social onde e como bem quisessem. A partir daí, mais e mais negros foram contratados pra se apresentarem em Las Vegas.

Quando Sammy faleceu, em maio de 1990, todas as luzes da avenida principal de Las Vegas foram apagadas por dez minutos em homenagem a ele.
Já adulto, Michael contou sobre esse episódio e disse que quando os Jackson Five foram contratados pra se apresentarem em Las Vegas pela primeira vez, embora seus irmãos não estivesse muito animados em ficar “num hotél cheio de brancos”, ele ficou empolgado com a idéia. Palavras de Michael sobre este assunto:

“Mas eu queria tocar em Las Vegas. Para mim, aquilo fazia parte da tradição do show business. Naquela reunião, o pai nos disse duas coisas: primeiro, que estava tentando mostrar para todo mundo que éramos tão bons quanto The Osmonds; depois, nos contou o que tinha acontecido com Sammy Davis, o que ele tinha passado para que gente como nós pudéssemos tocar em Las Vegas. Mais que qualquer coisa, eu queria fazer parte dessa grande tradição. Para mim era importante. Era um passo gigantesco.”
(Nota do blog: The Osmonds eram um grupo de irmãos cantores, brancos).


Os Jackson Five se apresentaram em Las Vegas e foram um imenso sucesso.

Em 1990, no Tributo a Sammy Davis Jr. (com a presença do próprio, que faleceria poucos dias depois), Michael cantou uma música que compôs em homenagem a Sammy, chamada “You were there”. Já postei este vídeo aqui no blog e agora, vou postar a letra e a tradução. Pra quem não sabe, a letra fala exatamente desse episódio que narrei acima, da luta de Sammy pra que os negros tivessem os mesmos direitos dos brancos em Las Vegas. E Michael agradece por ele ter aberto esta porta aos cantores negros das gerações seguintes, como ele próprio.

Praqueles que dizem que o Michael não assumia sua negritude, reparem que ele, nessa música fala claramente como negro, se assume como negro (como aliás, sempre fez):

YOU WERE THERE
(Michael Jackson)

Letra:


You were there, before we came.
You took the hurt, you took the shame.
They built the walls to block your way.
You beat them down.
You won the day.
It wasn't right, it wasn't fair.
You taught them all.
You made them care.
Yes, you were there, and thanks to you,
There's now a door we all walk through.
And we are here, for all to see,
To be the best that we can be.
Yes, I am here...
Because you were there. Tradução: Você esteve lá, antes de nós chegarmos.
Você enfrentou a ferida, você enfrentou a vergonha.
Eles construíram paredes pra bloquear seu caminho.
Você as derrubou.
Você ganhou o dia.
Não era certo, não era justo.
Você ensinou a todos eles.
Você fez eles se importarem.
Sim, você esteve lá e graças a você,
Agora há uma porta pela qual todos nós entramos.
E nós estamos aqui pra todos verem,
Pra sermos o melhor que pudermos ser.
Sim, eu estou aqui...
Porque você esteve lá.

(Que lindo isso! Uma clara demonstração de gratidão e reconhecimento por parte do Michael, o grande Michael Jackson – que antes de tudo era humilde, sincero e grato.)

Michael sempre soube da existência do racismo. Sempre o vivenciou (embora em proporção muito menor que Sammy e outros de sua época), e sempre se posicionou CONTRA ele. Contra qualquer tipo de racismo.

Quando jovem, Michael andou saindo com Caroline Kennedy. Ele quis beijá-la. Mas ela não deixou dizendo que sua mãe (Jackeline – a quem Michael tanto admirava e deseja conhecer) ficaria muito brava se soubesse que ela havia beijado um rapaz negro. Claro que isso deixou Michael triste. Ele até chorou por isso. Mas não desistiu de conhecer Jackeline Onassis. O fato dela ser supostamente racista não o fez perder a admiração que tinha por ela. Um dia, ele a conheceu. E quando já tinha alguma intimidade com ela, contou sobre o episódio acontecido com sua filha Caroline. Jackeline ficou muito brava com a filha e respondeu que jamais diria algo assim. Enfim... Michael descobriu então, que a racista era a filha e não a mãe.

Entre as várias amizades de Michael, estava Jane Fonda. Uma vez, perguntado sobre o que ele conversava com ela, Michael respondeu: “Política, filósofos, RACISMO, o Vietnã, atuações, todos os tipos de assuntos”.

Sammy Davis abrira mesmo muitas portas. Mas havia outras por abrir e isso coube a Michael Jackson. Sair na capa de “revistas de brancos” era algo impossível. Na “Rolling Stone” então... nem se fala! Mas... Michael saiu na capa dessa revista. Demorou, mas saiu. E saiu em capas de TODAS as revistas famosas do mundo inteiro.

Outra porta a ser aberta era a da MTV. Em 1983 a popularidade de Michael era tão imensa que mais cedo ou mais tarde a emissora iria se render ao seu talento. E ele acabou mesmo arrombando as portas da MTV.

Naquela época, tudo que era feito por negros e que chegava à MTV, era posto de lado, classificado como “não-rock”. Os pesquisadores da MTV decretaram que músicas de negros não eram bem aceitas por brancos, nem mesmo por brancos que viviam em subúrbios. Quando o clipe de “Billie Jean” chegou lá, enviado pela gravadora CBS, eles a rejeitaram prontamente. Então a CBS ameaçou retirar todos os outros clipes de seus artistas de lá, caso eles não tocassem “Beat it”. Resultado: com relutância colocaram “Billie Jean” em sua programação da tarde, em meados de março.

Depois, foi a vez de "Beat it". O sucesso de Michael era tanto que ele elevou os índices de audiência da MTV. A partir daí todos os seus clipes eram exibidos lá. A MTV pagou caro pra exibir o clipe de "Thriller" em primeira mão. Daí pra frente, outros artistas negros tiveram seus clipes apresentados na emissora. Graças ao Michael com sua genialidade e sucesso!

Em meados daquele mesmo ano de 83, Michael não estava satisfeito com seus empresários, exceto seu advogado e “faz-tudo” John Branca, em quem ele confiava plenamente. (
Nota do blog: Hoje John Branca é um dos gestores dos bens de Michael, nomeado por ele em testamento).

Os empresários Ron Weisner e Freddy DeMann, brancos, haviam sido contratados por Joseph Jackson pra cuidar da carreira de seus filhos e Michael ainda estava ligado a eles e ao pai, profissionalmente. Isso o aborrecia. Mesmo porque, além de querer se desligar do pai como empresário, também estava insatisfeito com o trabalho de Ron e Freddy. Motivo: eles só falavam besteira como por exemplo achar que o disco “Thriller” venderia apenas dois milhões de cópias (Quincy Jones também concordava com isso – nessa época a relação dele com Michael também já havia desandado), querer que Michael se vestisse de Robin Hood e usasse arco e fechas no clipe de “Beat it”, além de aconselhá-lo a não participar do show “Motown 25” (em que Michael fez o passo “moonwalk” pela primeira vez ao som de “Billie Jean”).

Nesse meio tempo, Joe Jackson, também insatisfeito com os dois empresários (mas por outro motivo: Joe achava que eles estavam dando muito mais atenção à carreira-solo de Michael do que ao grupo formado por todos os seus filhos) andou dando declarações de teor racista como dizer que chegou “ao ponto de pensar que precisaria da ajuda de brancos pra lidar com a estrutura corporativa da CBS”. Freddy, um dos empresários rebateu dizendo não achar “que ele tenha um bom relacionamento com qualquer pessoa cuja pele não seja negra”.

Esse bate-boca através da imprensa foi a gota d’água pro Michael. Ele mandou John Branca demitir os dois empresários (Ron e Freddy). Mas pra não correr o risco das pessoas acharem que ele tinha as mesmas idéias racistas de seu pai, Michael, que não gostava de dar entrevistas desde alguns anos atrás (e ele tinha lá seus motivos - que outra oportuniade comentarei aqui), resolveu dar uma declaração à imprensa.
Aqui estão as palavras de Michael sobre as declarações de seu pai, que mostram claramente sua opinião a respeito de racismo e preconceito religioso:

“Não sei o que o levaria a falar algo assim. Fico de estômago embrulhado quando ouço que ele diz essa espécie de coisas. Não sei de onde ele tira essas idéias. Quanto a mim, sou daltônico. Não contrato pela cor. Contrato pela competência. A pessoa pode ser de qualquer raça ou credo, desde que eu obtenha o melhor serviço. Racismo não é o meu lema.” O próximo passo de Michael seria desligar de vez o pai de seus negócios (o que seria bem mais difícil do que ele imaginava).

No ano seguinte, Michael foi acusado de racismo porém ao contrário: não contra os brancos, mas contra os negros. Don King (também negro) ficou com raiva porque Michael, após a turnê da Vitória, declarou que não faria mais turnês com os irmãos (e ele tinha muitos motivos pra isso). Don King, que era um exibicionista de carteirinha disse ao Michael que deixar os irmãos significava não gostar de ser negro. Disse que Michael tinha que cantar com os irmãos e que mesmo seguindo carreira-solo e fazendo passos de dança maravilhosos, ele continuaria sendo um megastar negro. “Michael tem que sacar que ele é um negão” disse o promotor.

Interessante esse Don King... Então porque Michael era “negão” tinha que ficar preso eternamente ao pai e aos irmãos (profissionalmente falando)? Teria que carregar nas costas a família em toda turnê que realizasse pra divulgar SEUS discos de sucesso??? A verdade é que Michael SEMPRE foi muito generoso com toda a família. Às vezes fazia até o que não queria, ou não devia, só pra agradar a mãe e ajudar os irmãos. E isso sempre acontecia... E geralmente Michael se ferrava por causa de atitudes dos outros!


Na verdade, Michael nunca foi racista contra os brancos. Não seguiu a cartilha de seu pai. E se não era racista em relação à “outra raça”, seria muito menos em relação à sua própria raça. Naquela frase que citei acima, dita por ele em 83, fica clara sua posição quanto a isso: “Racismo não é o meu lema”. NUNCA FOI.

E é isso mesmo que ele fala na letra de “Black or white”, de 1991:
“Se você quer ser minha garota não importa se você é preta ou branca,
Se você quer ser meu amigo não importa se você é preto ou branco...”
Isso reflete o pensamento e a atitude que o Michael sempre teve quanto à questão racial. Ele SEMPRE pensou (e agiu) assim. Era “daltônico” como ele mesmo disse. Não distinguia as pessoas pela cor.

E “Black or white” é uma canção anti-racial. Mas alguns desavisados que não conhecem a história de Michael, dizem: “Quem é ele pra pregar igualdade entre as raças se ele quis ficar branco?”.

Só digo: SE INFORMEM ANTES DE VOMITAR ASNEIRAS.

Durante toda sua carreira, Michael deixou claro duas coisas quanto a isso:

Uma é que ele era totalmente contra o racismo (de qualquer tipo).
E a outra é que ele valorizava muito a raça negra, inclusive (e acredito que principalmente) por pertencer a ela.

Na introdução deste texto, postada aqui anteontem, eu comentei que Don King (promotor da turnê da Vitória) dissera que o fato de Michael ser negro o impedia de obter o reconhecimento merecido por parte do público branco.

Pois bem: em vez de se afastar da cultura negra pra agradar mais aos brancos o que Michael fez? Colocou-a com ainda mais força em seu trabalho.

Michael propagou não só a música negra fazendo-a invadir as rádios “de brancos” e a MTV como também popularizou mundialmente o “break” (dança negra de rua) que antes só era conhecida em guetos e restrita à comunidade negra.

No clipe de “Bad”, ele mostra a realidade desses guetos, tanto o lado da amizade quanto o da violência. O clipe fala da dificuldade que um jovem negro morador de subúrbio encontra ao querer estudar em uma boa escola e ter um futuro melhor, e o preconceito que sofre por parte de seus amigos do gueto quando eles percebem que ele não quer mais ter certo tipo de atitude que tinha antes (como roubar). Isso foi um fato real e o garoto foi morto pelos seus “amigos” do gueto por não querer mais fazer parte da gangue. No clipe porém, acontece um final feliz e os amigos selam a paz entre eles, ficando tudo bem. (Eu postei este clipe aqui no blog, na íntegra).

O disco todo está impregnado de cultura negra. Mas as pessoas deviam achar estranho que, enquanto Michael mergulhava cada vez mais fundo em suas origens, a cor de sua pele parecia cada vez mais clara e seu nariz mais afilado.

Mas...

Por que ele iria querer ficar branco se chegou ao topo, rompendo todas as barreiras quando tinha a pele escura?

Por que ele causaria tamanha dor à sua mãe, que ele tanto amava e de quem se orgulhava, renegando a raça dela? E ela, assim como toda a família, aceitaria esse insulto?

Se ele quisesse mesmo “deixar de ser negro” ele continuaria tão fortemente ligado à cultura dessa raça, tratando de fazê-la se expandir e ser respeitada em todo o mundo?

Em 1989 ele recebeu uma homenagem numa escola em que estudou quando criança, para alunos negros. Ele foi lá pessoalmente e ficou todo feliz e emocionado com a homenagem. Eu vi isso, no Jornal Nacional (Globo).

Se não quisesse mais ser negro, ele estaria ali pra ser lembrado da origem que ele estaria tentando apagar ou esquecer? Ele teria ido lá pra ser apresentando como negro diante da imprensa de todo o mundo?

É CLARO QUE NÃO.

A explicação pro fato de sua pele estar mais clara certamente apareceria mais cedo ou mais tarde. Mas a verdade que estava diante dos olhos de todo mundo (e muita gente, influenciada pela boataria e a mentirada dos tablóides se recusava a enxergar) era essa:

Michael Jackson NÃO estava querendo deixar de ser negro.

Ele NÃO estava renegando sua raça ou sua família.

Ele NÃO estava querendo ou fingindo ser de raça branca.

Ele NÃO estava dando as costas ao seu passado pra virar outra pessoa (se fosse assim mudaria primeiro de nome!).

Ele NÃO estava se afastando da cultura negra.

O motivo de seu nariz estar afilado NÃO era porque ele quisesse se livrar de vínculos com a raça negra.

E ele NÃO tinha nada contra os negros, MUITO PELO CONTRÁRIO.

Era isso que dava pra concluir. Pelo menos aquelas pessoas que ousaram pensar com suas próprias cabeças – após se informar bem e observar os fatos e a situação com imparcialidade – com certeza concluíram isso.

Acredito que a maioria do público, a grande maioria dos leais fãs de Michael enxergaram a verdade mesmo sem conhecer ao certo o que estava por trás daquele “branqueamento” dele. A maior parte da comunidade negra também jamais o abandonou.

Prova disso é o sucesso indiscutível que ele continuou fazendo. As vendas do disco “Bad” dispararam e ele conseguiu uma façanha inédita (que nem ele mesmo tinha conseguido antes): colocar CINCO músicas do mesmo disco em primeiro lugar nas paradas: “Bad”, “I just can’t stop loving you”, “Dirty Diana”, “Man in the mirror” e “The way you make me feel”.

Além disso sua turnê mundial bateu todos os recordes de público (e só ele próprio viria, no futuro, a superar esse recorde), levando à loucura e à histeria pessoas de todas as raças, de ambos os sexos, e de várias idades, culturas e credos pelo mundo afora .

Mas os críticos e a imprensa foram implacáveis com ele, não só por sua pele mais clara (nessa época ele estava digamos... “castanho”) mas por suas “bizarrices” (que na verdade tinham sido plantadas e eram mentiras).

Muita gente, principalmente aqueles que nunca tinham sido fãs de Michael, não o perdoavam e o criticavam duramente. Haviam negros que se sentiam traídos, desprezados e ofendidos. Mas isso porque não conseguiam penetrar o véu da aparência, da superfície, da pele. Por dentro, Michael estava cada vez mais negro.

Existe auto-racismo?

SIM. Eu mesma conheço alguns casos e vou citar um:

Dois sobrinhos de uma amiga da minha família, que agora já estão adultos, eram (e de certa forma ainda são) profundamente infelizes porque a sua mãe é negra. Eles amam a mãe, mas não a raça dela. O pai dos rapazes também não é branco. Pelo cabelo bem crespo, tudo indica que seja mulato. A pele dele é morena, mais ou menos como a de Michael Jackson no clipe de “Bad”. Naturalmente, os meninos nasceram mulatos (um é mais claro que o outro) e de cabelo “duro”. Eles odeiam ser chamados de mulatos, e mais ainda de negros. Eles corrigem: “Sou só moreno-claro!”. Quando alguém diz que se parecem com a mãe, eles ficam zangados e quando crianças, choravam e gritavam ao ouvir isso. E o pior: sempre evitaram sair com a mãe e têm vergonha dela. Se casaram cedo, com duas brancas – uma delas tem olhos azuis – e preferem freqüentar a família delas do que a deles próprios.

ISSO NUNCA ACONTECEU COM MICHAEL JACKSON.

Aliás, com ele a história era oposta: ele sempre se orgulhou da mãe, negra, muito mais do que do pai, que é mulato de olhos claros. E dizia com orgulho que era negro.

O lançamento de “Black or White” deixou claro pra todo o mundo que Michael era contra o racismo. Este vídeo, um dos melhores (senão o melhor) feitos por ele, une pessoas de TODAS as raças. A mensagem é simples e direta: somos todos humanos, independente da raça ou qualquer outra coisa. Nós não somos a nossa cor, não somos uma cor, somos PESSOAS com os mesmos direitos.

Como sempre, artistas (e dessa vez esportistas também) negros eram maioria em seus clipes do álbum “Dangerous”.

O povo continuava com a “pulga atrás da orelha”. Como ele poderia valorizar tanto a cultura negra, a dança negra, a música negra (predominante no disco, mais uma vez) e as personalidades negras (Naomi Campbell, Magic Johnson, Michael Jordan, Imã, Eddie Murphy, entre outros que participaram de seus clipes) enquanto sua pele ficava mais e mais clara?

A resposta pra isso veio finalmente no programa de Oprah Winfrey, em 1993, quando a turnê de “Dangerous” varria o mundo e mostrava a todos porque Michael era chamado de “Rei do Pop” e “O artista do Século” (inclusive ele recebeu esse prêmio no “American Music Awards” – deixando Elvis, Beatles, Sinatra, Chaplin, Marilyn Monroe e outros pra trás).

Qual é essa resposta? VITILIGO. E é desse assunto que vou tratar no próximo capítulo deste texto de três capítulos.

Mas... essa entrevista serviu pra responder a mais uma das acusações que cito na introdução: que ele não via imagens do passado.No começo do programa, Oprah exibiu imagens de Michael quando criança e ele se divertiu bastante vendo aquilo.

Cinco anos antes, em 1988, Michael fez o filme "Moonwalker"(que eu tenho e recomendo - é ótimo!!!), em que há uma abertura mostrando várias imagens de toda a carreira de Michael, inclusive uma foto em preto e branco dele quando bebê, sorrindo (e que bebê mais fofo!). Como toda a concepção do filme foi do próprio Michael, obviamente ele não somente viu, como também selecionou as fotos e imagens de sua carreira que apareceriam na abertura.

Na década atual, Michael apareceu em um especial chamado “Michael Jackson’s private home movies”, em que ele mostrava seus vídeos caseiros. Ali havia imagens dele desde criança até a época em que o especial foi feito. Os vídeos mostram Michael em casa (desde a humilde casinha em Gary até Neverland), em turnês, eventos, ou no supermercado fazendo compras e se divertindo. Michael ia vendo as imagens e as comentando. Ele estava bem, relaxado e ria de algumas situações. Não vi nenhum traço de dor ou contrariedade e muito menos vergonha nele em assistir a tudo aquilo e relembrar o passado (assista aos vídeos aqui, no final deste post).

Então... mais uma mentira derrubada!

Há pessoas que preferem não ver seu sofrido passado... Lembro que uma vez, quando lançaram um filme sobre a vida de Tina Turner, ela se recusou a assití-lo porque não queria sofrer relembrando momentos difíceis de seu passado.

Mas esse não era o caso de Michael. Ele podia não gostar de falar sobre certos assuntos (como as surras que levara do pai) que eram difíceis pra ele. Mas não tinha essa de “não ver suas imagens de quando ‘era’ negro”.

Primeiro: ele sempre as viu; podia passar um bom tempo sem ver mas virava e mexia, as estava sempre vendo.

Segundo: ele sempre foi negro, jamais deixou de ser, portanto não tinha nada a ver colocar o verbo SER no pretérito como alguns faziam!

A questão do racismo sempre incomodou Michael.

Em 2001 ele brigou com o todo-poderoso da Sony Music (ex-CBS) Tommy Mottola porque presenciou atitudes racistas por parte dele. Michael contou na época que Mottola chamou um artista contratado pela Sony de “preto gordo” (pejorativamente) e que explorava seus artistas negros e depois os colocava de lado, como fez com James Brown (maior ídolo de Michael, que estava passando por dificuldades financeiras).

Michael discursou na época contra o racismo e novamente falou como negro. Teve apoio de artistas, políticos, religiosos, da comunidade negra e de parte da imprensa, além de sua família, amigos e fãs que fizeram cartazes de Tommy Mottola de chifrinhos.

Mais uma vez Michael deixou claro a sua opinião sobre a questão do preconceito racial:

“Temos que acabar com o racismo. Racismo é muito ruim.”